O novo ano está bem longe de ser uma unanimidade. Para alguns, ele chega como um frio na barriga, um medo de não sei o que, uma vontade de sair correndo pela primeira porta que aparecer. Muitos, porém, conseguem ficar mais à vontade com as surpresas do futuro e acolher as novidades com alguma tranqüilidade. Mas, de modo assim bem geral, o novo sempre assusta.
E por conta desta semelhança, paira uma suspeita sobre tudo que é novo. Sim, porque é preciso não confundir o novo com a novidade. As novidades são ligeiras e frívolas. Chegam alegres, tristonhas ou alvoroçadas, mas sem dramas nem mistérios. O novo, ao contrário, tem a solenidade do desconhecido, vem devagarzinho, e chega no compasso das grandes aventuras e mistérios.
Ao longo dos tempos, o novo foi a floresta, o abismo, imensos oceanos azuis, abóbadas celestiais. Mais recentemente, descobrimos que ele habitava em nós. Do outro lado do espelho um universo de estranhezas desconhecidas nos olhava e nos convidava a entrar. O mundo novo é quando começamos a construir a algo benéfico todos os dias, dentro de nós.
Temos muito medo do novo, de seu compromisso com a liberdade e de seu comando para a mudança. Confiamos que o jeito de sempre, se não nos traz felicidade, pelo menos nos deixa entorpecidos de cotidiano e…assim vamos nos acomodando. Ano que vem paro de fumar, ano que vem mudo de emprego, ano que vem emagreço, ano que vem saio desta relação que me faz sofrer, ano que vem encontro um novo amor, ano que vem...
Ah, o novo e seu inevitável parceiro: o começo. Quer coisa mais difícil do que começar algo novo? Dar a partida no moto. mergulhar de cabeça no futuro, assim sem guia, sem rumo, sem garantia… Arrancar a gravata, desatar as amarras que nos prende ao passado, levantar âncoras, criar atalhos, remover os entulhos e velharias e partir... Próxima parada? Quem sabe? Onde o destino mandar, pois o novo não obedece a ninguém.
E se este ano, só para variar, se a gente desejasse de coração um Ano Novo bem novo? Faremos assim todos juntos, à meia-noite, vamos olhar para algum ponto bem longe à nossa frente – o mar, a lua, as estrelas, e desejar que 2013 nos traga nossa cota de felicidade e prometer, obedientes, que vamos recebê-lo com coragem, e de braços abertos. Vamos então fechar os olhos. E neste instante, bom, faremos os nossos pedidos e simpatias para atrair sorte e felicidade, e alguns hão de sentir um arrepio na espinha, outros dirão depois que foram abraçados por uma onda de "calor", ou viram uma forte luz brilhando; outros porém poderão virar as costas dizendo, ora, que bobagem!
Mas desejo que desta vez, que os anjos digam Amém!
Em 2013, espero que a gente consiga mudar do velho para o novo e concretizar os nossos mais belos sonhos rumo ao desconhecido…
autoria: Valéria R. Carballo
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